Oportunidades econômicas pioraram na África, diz estudo
Nos últimos quatro anos, países no continente também apresentaram deterioração da segurança, informou o Índice Ibrahim

 

Em termos de governança, o progresso na África está parado desde 2011. É o que indica o Índice Ibrahim de Governança Africana (IIAG), divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Mo Ibrahim, baseada em Londres. Diferentemente dos anos anteriores, quando o continente parecia um bom local para investir, agora a falta de confiança nos mercados e a fragilidade dos bancos parecem falar mais alto, levando à deterioração no ambiente para os negócios. Além disso, a percepção de violência aumentou, tanto em relação ao Estado quanto ao indivíduo. Nem mesmo os avanços registrados em áreas como saúde e educação, direitos humanos e questões de gênero foram suficientes para compensar as pioras.

— Embora não haja dúvida de que os africanos, de um modo geral, são mais saudáveis e vivem em sociedades mais democráticas do que há 15 anos, o IIAG de 2015 mostra que o progresso recente no continente estagnou ou se inverteu, e que alguns dos principais países parecem estar em desaceleração — disse o bilionário sudanês Mo Ibrahim, presidente da fundação, que premia líderes africanos com bons índices de governança.

A área de investimentos e negócios foi a que teve pior desempenho desde 2011, segundo o índice. A nota geral do continente foi de 43,2 (sobre um máximo de 100) no quesito oportunidade econômica, registrando uma queda da 0,7 no período. Para a ex-subsecretária-geral de Assuntos Humanitários da ONU e atual membro do conselho da fundação, Valerie Amos, os governos podem tentar avançar nessa área tentando melhorar a prestação de serviços.

— A maior regulação mundial teve impacto desproporcional em alguns países africanos. Os governos podem apresentar avanços ao tentar simplificar o relacionamento com os investidores, minimizar a burocracia, criando um clima competitivo — disse Amos ao GLOBO, de Londres.

Mas é preciso lembrar a diversidade do continente, uma colcha de retalhos que inclui 54 países e com uma lacuna de 70 pontos entre a primeira posição no índice geral, as Ilhas Maurício, e o último colocado, a Somália. A disparidade na África, inclusive, aumentou, indica o estudo. Enquanto a África Austral continua a ser a região com o melhor desempenho, com média de 58,9, a área central registrou uma pontuação média de 40,9.

Neste bloco totalmente heterogêneo, só seis países melhoraram em todas as quatro categorias do Índice Ibrahim: Costa do Marfim, Marrocos, Ruanda, Senegal, Somália e Zimbábue. O grupo inclui democracias, ditaduras, uma monarquia e uma zona de conflito, ou seja, eles não seguem fórmulas prontas para alcançar um bom resultado.

— Houve melhorias na categoria de “Participação e Direitos”, especialmente nas áreas do processo eleitoral, de “Desenvolvimento Humano”, que inclui saúde, educação e bem-estar. O que o índice pretende é permitir que os governos consigam comparar as suas performances com os outros países, mostrando as ações que trouxeram avanços e pioras nas áreas analisadas — pontuou Amos.

Conflitos armados afetam vários países

Independente desde 2011, essa é a primeira vez que o Sudão do Sul aparece no índice, mas não tem nada do que se orgulhar, ficando à frente somente da Somália. O país vivenciou a pior deterioração no continente, com queda nas pontuações de todas as categorias, zerando em muita delas. O cenário de guerra não ajuda nas perspectivas futuras.

— Os conflitos armados tornam o processo de governança mais complicado e complexo, e às vezes é impossível — disse Amos.

As melhorias foram poucas nesses países, muitas vezes só em relação ao acesso a medicamentos e campanhas de saúde pública. Valerie defende uma maior atuação da comunidade internacional para amenizar os problemas na África.

— É preciso pressionar os países em guerra, apoiar o desenvolvimento de instituições e estruturas que levem ao Estado de Direito e incentivar os investimentos nos setores sociais, como uma forma de dar resposta à pobreza no continente — acrescentou.

Entre exemplos negativos, alguns países, como a Costa do Marfim, têm razões para celebrar. O país foi o que mostrou de longe a maior melhoria global. Depois de passar por uma crise política entre 2010 e 2011 que deixou mais de três mil mortos, a estabilização começa a dar sinais. O país fez um maciço investimento na sua infraestrutura, ampliando consideravelmente sua malha ferroviária.

 

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