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A Volkswagen está se envolvendo na computação quântica. A BMW está construindo um novo data center gigante. E, em junho, a Bosch anunciou planos para construir uma fábrica que irá produzir chips para carros autônomos.

 

Tudo isso faz parte do crescente esforço das montadoras e fornecedoras de autopeças europeias para aumentar sua capacidade de computação – de grandes dados –, que será necessária à medida que os veículos se tornam mais digitais e autônomos.

Os carros precisarão se comunicar constantemente, absorvendo e analisando informações de milhares de veículos ao mesmo tempo, para tomar decisões que melhorem o trânsito, poupem combustível e evitem perigos.

Isso representa um enorme desafio para empresas que tradicionalmente se concentram na fabricação de produtos.

“A capacidade de processamento necessária para lidar com esses dados ocorre em ordens de magnitude com as quais não estamos habituados a lidar”, afirmou Reinhard Stolle, vice-presidente responsável por inteligência artificial na montadora alemã BMW, que está construindo um data center perto de Munique que é 10 vezes maior que o atualmente utilizado pela empresa. “As técnicas tradicionais de controle de engenharia simplesmente não são capazes de lidar com tanta complexidade”.

Os grandes dados são um desafio para todas as montadoras, mas especialmente para as empresas alemãs, já que seu público alvo são clientes ricos que querem desfrutar das tecnologias mais recentes.

Ao mesmo tempo, o foco na computação coloca as montadoras em concorrência direta contra as empresas de tecnologia do Vale do Silício, que têm muito mais experiência no setor, criando uma abertura para empresas como Apple e Google, que já estão começando a se envolver no mercado automotivo.

O Google tem trabalhado há algum tempo em carros autônomos, e Tim Cook, executivo-chefe da Apple, afirmou em junho que a empresa – mais conhecida pelos iPhones – está se concentrando em sistemas autônomos para carros e outras aplicações.

Isso aumentou a pressão sobre as montadoras. As empresas alemãs, em especial, fizeram investimentos em serviços de compartilhamento de carros, em parte para combater a ascensão do Uber, e agora estão voltando os olhos para o futuro.

As iniciativas da Volkswagen, que tenta se posicionar como líder no setor de tecnologia enquanto ainda se recupera dos escândalos de poluição, mostra até onde as montadoras estão dispostas a se envolver no mundo exótico da tecnologia.

A Volkswagen, que é alemã, se juntou recentemente a um grupo de grandes corporações internacionais que são clientes da D-Wave Systems, uma fabricante canadense de computadores que aplica os complexos princípios da física quântica..

Embora alguns especialistas questionem sua utilidade, em teoria os computadores da D-Wave – abrigados em caixas pretas altas que se parecem com os obeliscos do clássico da ficção científica “2001: Uma Odisseia no Espaço” – são capazes de processar enormes quantidades de informação a velocidades inimagináveis. Martin Hofmann, CIO da Volkswagen, acredita na possibilidade.

“Para nós, trata-se de uma nova era para a tecnologia”, afirmou Hofmann durante uma entrevista no vasto complexo industrial da Volkswagen em Wolfsburg, Alemanha.

Teorizados pela primeira vez nos anos 1980, os computadores quânticos tentam tirar proveito do estranho mundo da física quântica, que estuda o comportamento de partículas em nível subatômico. Os computadores clássicos se baseiam em bits com valores iguais a 1 ou 0. Os qubits, dos computadores quânticos, são capazes de existir em múltiplos estados ao mesmo tempo. Isso permite, em teoria, que os computadores realizem cálculos que estariam muito além da capacidade de um computador comum.

Este ano, a Volkswagen utilizou um computador da D-Wave para demonstrar como poderia comandar os movimentos de 10 mil táxis em Pequim simultaneamente, otimizando suas rotas e, assim, aliviando o congestionamento.

Uma vez que os padrões do tráfego se transformam constantemente, o desafio é reunir e analisar os fluxos de veículos rápido o bastante para que os dados sejam úteis. O computador da D-Wave foi capaz de processar em poucos segundos um volume de informação que demoraria 30 minutos para ser processado em um computador comum, afirmou Florian Neukart, cientista do Volkswagen, em San Francisco.

Essas afirmações são vistas com ceticismo por alguns especialistas, que afirmam que não há provas contundentes de que os computadores da D-Wave sejam mais rápidos que um supercomputador convencional bem programado. E, ao contrário de um computador quântico, os supercomputadores não possuem componentes que precisam ser mantidos a temperaturas mais baixas que no espaço sideral.

“Se o D-Wave realmente fosse mais rápido nesse tipo de aplicação, essa seria a primeira vez que veríamos isso”, afirmou Scott Aaronson, professor de ciência teórica da computação na Universidade do Texas, em Austin, e crítico contumaz da D-Wave.

“Seria particularmente impressionante que esse passo fundamental fosse primeiro registrado na resolução de um problema da Volkswagen”, afirmou Aaronson por e-mail.

Os executivos da Volkswagen afirmam que irão publicar os resultados de seu trabalho com os computadores da D-Wave, permitindo seu questionamento.

Algumas montadoras decidiram se concentrar naquilo que mais conhecem, deixando a computação a cargo de outras empresas.

A Volvo Cars é pioneira no uso de tecnologia digital em automóveis. Entretanto, a empresa utiliza parceiros externos como a Ericsson, a fabricante sueca de equipamentos de telecomunicação, para tecnologias de computação. Em maio, a Volvo afirmou que iria instalar o Android, o sistema operacional do Google, em seus novos modelos a partir de 2019. Além disso, a empresa está cooperando com o Uber para desenvolver carros autônomos.

“Estamos tentando adotar essas mudanças”, afirmou Martin Kristensson, diretor sênior de direção autônoma e estratégias de conectividade da Volvo, a respeito dos desafios gerados pelo Vale do Silício.

 

 

Fonte: Exame

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