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Temos visto, nos últimos meses, uma cobertura extensa sobre como os russos influenciaram as eleições americanas do ano passado com a criação de anúncios e páginas no Facebook

Temos visto, nos últimos meses, uma cobertura extensa sobre como os russos influenciaram as eleições americanas do ano passado com a criação de anúncios e páginas no Facebook, além de ações no Twitter e no Google, mas o problema está muito mais próximo de nós, brasileiros, do que antes imaginávamos. Uma reportagem da BBC Brasil mostrou que algo semelhante aconteceu aqui no País em 2014. A atividade não parou por aí, e o trabalho para influenciar as eleições de 2018 já está em andamento.

A BBC Brasil revelou que um “exército virtual” de perfis falsos foi usado por uma empresa do Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, especialmente em 2014, embora a atividade já acontecesse desde 2012. A companhia, chamada Facemedia, contratou dezenas de pessoas para comandar esses perfis. Essas pessoas recebiam contas já montadas, com fotos e descrição, eram monitorados por Skype e trabalhavam de suas casas, recebendo cerca de R$ 800, valor que subiu na época das eleições de 2014, chegando a até R$ 2.000.

Para conferir legitimidade aos perfis, os controladores dessas contas alternavam as publicações políticas com postagens mais cotidianas. Porém, invariavelmente, apareciam mensagens de apoio a determinados candidatos e ataques a adversários políticos.

Bom, vamos aos nomes dos políticos revelados pela BBC. Entre os citados, estão Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Ricardo Ferraço, Laura Carneiro, Renan Filho e Aécio Neves. A reportagem afirma que não há nenhum indício de que os políticos soubessem da atividade, mas cita que a Facemedia “recebeu R$ 504 mil da agência PVR Propaganda e Marketing Ltda, de Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha de Aécio à Presidência”.

O conteúdo das mensagens identificadas pela BBC ia desde postagens destacando Aécio Neves como o candidato mais preparado durante os debates presidenciais de 2014 a postagens com a hashtag #MexeuComRenanMexeuComigo, em resposta aos protestos de 2013.

Esses exércitos de fakes usavam sistemas como o Hootsuite, de gerenciamento de redes sociais, e havia divisão de tarefas, com contratados “de menor escalão” sendo responsáveis apenas pelas mensagens cotidianas, com posts programados para toda a semana e interação entre perfis, enquanto outros cuidava da parte política, que incluía participação em votações online e postagem de comentários em sites de notícias. “Às vezes, dez pessoas ficavam votando em determinada opção durante oito horas do dia”, conta à BBC uma das fontes.

Em entrevista à BBC Brasil, Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na USP, alerta que a prática deve estar bem disseminada por aqui e que “vai ser bastante explorada nas eleições de 2018, que, ao que tudo indica, serão ainda mais polarizadas que as últimas de 2014”.

Em contato com a reportagem da BBC Brasil, o Facebook reafirmou seu compromisso de cooperar com autoridades eleitorais em relação à segurança online, um esforço que se tornou prioridade na empresa depois das revelações dos últimos meses sobre a influência russa na eleição dos EUA. “Esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018”, contaram à BBC.

A investigação nos Estados Unidos sobre o escopo da influência russa está em andamento, e o Facebook ainda não revelou novas diretrizes para combater esse tipo de atividade com eficiência, especialmente durante eleições. Então, se você achou as redes sociais o próprio inferno durante as eleições de 2014, pode ir se preparando, porque o próximo ano não dá indício algum de que será melhor. Ainda mais com a iminência da atuação desses perfis falsos.

 

Fonte: BBC Brasil

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