Depois de morrerem, os nobres guerreiros escandinavos dos séculos 8 a 11 eram cremados com tudo que amavam: o barco, as armas… e as esposas, vivas!
1) Os vikings faziam sacrifícios para o deus Odin no Templo de Upsala, na atual Suécia. Mas o rito mais conhecido rolava no funeral de um grande guerreiro. Quando falecia em terra (e não durante alguma batalha), o corpo era queimado em seu barco favorito, lançado ao mar. Só que suas esposas e escravas também estavam a bordo!
2) O ritual funerário começava com uma festa de sete dias, com muita bebida e a narração dos principais feitos do morto. Só então ele era vestido com uma roupa elaborada para a ocasião e colocado no barco com suas armas. Elas seriam usadas em Valhala, onde, segundo a mitologia nórdica, os militares mortos em combate ou despachados pelo mar reencontravam os deuses
3) Uma a uma, as mulheres do falecido se apresentavam para juntar-se a ele. Todas vestiam suas melhores roupas e joias. Com o corpo bem ereto, elas recebiam facadas entre as costelas, aplicadas por uma sacerdotisa que orientava o funeral e as posicionava no barco – as esposas mais queridas pelo morto tinham o direito de ficar mais próximas dele
4) O barco também era preparado para o evento. O casco era preenchido com palha e um suporte de madeira era construído no centro para apoiar o cadáver. A vela era posicionada para ser enchida. Queimar um instrumento militar tão útil pode parecer um desperdício, mas havia um motivo: era uma forma de alimentar a indústria naval local
5) Ninguém forçava as mulheres ao sacrifício, mas a própria sociedade já esperava que elas “se voluntariassem”. Alguns arqueólogos acreditam que elas eram colocadas a bordo com vida, porém drogadas. Para as escravas, nem havia “opção”. Inclusive há relatos de que, antes de serem mortas, elas tinham que fazer sexo com todos os companheiros do guerreiro
6) Ao longo da cerimônia, os outros guerreiros gritavam os méritos do amigo que se foi. A eles, cabia também a honra final de posicionar o barco na água e atear fogo com uma tocha. Com as velas abertas, a embarcação iniciava sua última viagem, que simbolicamente começava neste mundo e seguia para o próximo – enquanto pegava fogo e se rompia
7) Corpos que não eram queimados rapidamente acabavam afundando. O processo todo durava entre 40 minutos e uma hora. Em casos menos comuns, o barco era enterrado com as cinzas do dono
HOMENAGEM FORÇADA
Mulheres de outras civilizações também morriam com o marido
A oferenda viking segue um padrão comum ao longo da história: o sacrifício de esposas e escravos dos nobres. Era assim no Egito, onde faraós eram enterrados junto com seu séquito inteiro, necessário para a vida no além. Também acontecia na ilha de Fiji, onde as viúvas eram estranguladas até a morte por seus irmãos. Outros exemplos são a Mesopotâmia, a Mongólia, a China e a Índia.
fonte: T iago C ordeiro
É uma questão complexa, que envolve vários fatores. “Uma das explicações possíveis, porém, é o isolamento das comunidades no espaço e no tempo”, afirma Marli Quadros Leite, lingüista da USP. Assim, para descobrir as origens de um determinado sotaque é preciso estudar tanto a história da população nativa da região quanto das pessoas que migraram para lá. Isso ajuda a entender por que, no Brasil, encontram-se tantas formas diferentes de falar o mesmo idioma. Só os colonizadores portugueses trouxeram em sua bagagem uma boa quantidade de diferenças lingüísticas: um bando vinha de Lisboa, outro do Porto, um terceiro do Alentejo… Como se não bastasse, os índios que já viviam aqui falavam inúmeras línguas. Mais tarde, chegaram os africanos e depois vieram imigrantes – e até colonizadores – de outros países europeus.
Cada região do país foi assimilando diferentes elementos dessas fontes, resultando nos diferente sotaques e dialetos. Mesmo assim, nunca nos transformamos numa Torre de Babel. “Apesar da nossa imensa diversidade lingüística, há uma certa unidade que permite a todos se entenderem e terem a certeza de que falam o português do Brasil”, diz Marli.
Variação geográfica Cinco exemplos estaduais de como o Brasil fala português
Pernambuco
Uma herança da longa presença holandesa no Recife foi a forte pronúncia do R, como nas línguas de origem germânica
Bahia
O sotaque local reflete a variada mistura da miscigenação do seu povo, assimilando tanto o S assobiado de São Paulo e Minas Gerais quanto o R aspirado dos cariocas
Rio de Janeiro
Muitos estudiosos afirmam que o S chiado (quase um X) dos cariocas nasceu com a transferência da família real portuguesa para a cidade em 1808. A chegada da corte não só provocou mudanças de costumes como influenciou a fala da população local, produzindo uma versão peculiar da pronúncia lisboeta
São Paulo
Acredita-se que o R acentuado do interior de São Paulo tem origem no jeito de falar dos índios tupis, assimilado pelos bandeirantes. Essa pronúncia caipira ultrapassou as fronteiras do Estado e também se espalhou pelo sul de Minas e por Goiás
Santa Catarina
O sotaque cantado, mais forte até que o dos gaúchos, é influência direta da forte imigração de portugueses da ilha de Açores.
fonte: M undo E stranho