A música faz parte da vida do ser, mesmo dentro da barriga da mãe, pois a batida da música pode ser sentida pelo feto. Fazendo com que seja estimulada a sensação de prazer e consequente calma. Esse estímulo percorre lado a lado com o indivíduo ao longo de sua vida.
Sempre houve a busca por respostas para tal efeito e, finalmente, pesquisadores da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), utilizando a equipe de Salimpoor Valorie e Robert Zatorre, publicaram na "Nature Neuroscience", os resultados de suas pesquisas.
Selecionaram dez voluntários de 19 a 24 anos entre os 217 que responderam a um anúncio solicitando pessoas que sentiram "estremecimentos", sinais de extremo prazer, ao escutar música.
E graças a vários aparelhos de diagnóstico por imagens, mediram a liberação de dopamina e a atividade do cérebro. Paralelamente, sensores informavam a frequência cardíaca e respiratória dos voluntários, bem como sua temperatura ou sinais de estremecimento" de prazer no nível da pele.
Os resultados publicados mostram que a dopamina é secretada antes do prazer associado à música ouvida, e durante o próprio "estremecimento" de prazer, ou seja, no auge emocional. Tratam-se de dois processos fisiológicos distintos que envolvem diferentes regiões no "coração" do cérebro. Durante o auge do prazer, é ativado o núcleo "accumbens", envolvido na euforia produzida pela ingestão de psico-estimulantes, idêntico ao efeito causado pela cocaína.

Antes, no prazer por antecipação, a atividade da dopamina é observada em outra área do cérebro. O nível de liberação da dopamina varia com a intensidade da emoção e do prazer, em comparação com as medições realizadas ao escutar uma música "neutra", isto é, indiferente aos voluntários.
A dopamina é liberada em diversos usos de drogas,tais como: Ópio, morfina e heroína ativam diretamente os receptores das endorfinas (opioides do próprio corpo) no núcleo acumbente. A função delas normalmente é regular o teor final de dopamina no NAc. Com a ação das drogas, a produção de dopamina cresce, o que leva a sensações de euforia e bem-estar.
Ecstasy é uma anfetamina modificada, mas não age como uma (liberando dopamina direto no NAc), e sim como a cocaína, impedindo a reabsorção da dopamina. Essa ação é tão duradoura que o prazer pode se prolongar por horas.
A droga age também em vários outros lugares do sistema límbico, inclusive o hipotálamo, que regula funções vitais. É esse comportamento que pode desencadear problemas com hipertermia e desidratação que podem levar à morte.
A cocaína e crack impedem a reabsorção da dopamina liberada no núcleo acumbente em uma situação de prazer. A droga bloqueia o processo de reciclagem da dopamina pelos neurônios aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses, o que leva à sensação de euforia característica da droga.
O uso continuado danifica os neurônios e pode levar à redução dos efeitos da dopamina, provocando depressão e agressividade.
O efeito do alcool vem de mais longe: ele age na origem das fibras dopaminérgicas que chegam ao NAc, numa área no meio do cérebro chamada área tegmental ventral (começo do circuito de prazer). O álcool ativa diretamente os neurônios do VTA, que passam a liberar mais dopamina sobre o NAc. O resultado, mais uma vez, é o aumento da concentração de dopamina no NAc. O uso prolongado prejudica a estrutura dos neurônios e afeta a comunicação entre eles.
Quando o usuário decide largar o uso das drogas o seu grande problema é na hora da abstinência,tais como, depressão, perda do sono, irritabilidade e ansiedade, dores no corpo e lentidão de raciocínio, o que faz com que o tratamento seja, por muitas vezes, atrapalhado e os resultados não sejam eficazes.
Com os estudos e suas conclusões, que colocam um fim no enigma do que de fato ocorre no organismo ao se escutar música, e ao analisar que se trata do mesmo hormônio liberado no auge do prazer das drogas, que faz com que o indivíduo se torne dependente de uma, ou mais drogas, pela busca do mesmo efeito da primeira utilização desse elemento químico.
A música tem o poder de se tornar um grande aliado no combate as drogas e a sua abstinência, já que o seu efeito é justamente o de transmitir prazer absoluto sem causar danos ao organismo.
Como exemplo, eu escutei uma história que comprova a minha teoria, de que a música pode se tornar um tratamento permanente contra abstinência. Uma amiga minha da faculdade me trouxe a informação de que um rapaz, usuário de crack, decidiu ser internado e conseguiram uma clínica para ele, o rapaz é um músico, pianista para ser mais exata, e ele contou que a forma de conseguir suportar a abstinência é escutando música.
Existem casos que são considerados como irreversíveis, através dessa descoberta têm a chance de se conseguir mudar o quadro e trazer a tona a vida. Vida, está ai uma bela palavra que muitos não dão valor, enquanto outros buscam maneiras de resgata-la e dar novamente um sentido aos seus dias.
A maioria dos casos de iniciação a dependência química é justamente a falta de perspectiva de vida, quando o ser não encontra mais uma saída ou busca uma forma de se manter alienado da realidade e se transportar para outro lugar, como uma válvula de escape para determinados problemas pessoais e sociais. Posso colocar como outro exemplo uma outra amiga, perguntei-lhe o que ocorre quando ela entra em contato com a música quando canta ou toca violão e a resposta dela foi a que ela se sente livre,em paz, justamente o que os usuários procuram. Poderia continuar a contar inúmeros casos de como a música influência no ser, em como ela atua de forma positiva, quem nunca ficou com raiva e colocou o fone de ouvido no último volume para descontar a raiva em meio as batidas fortes? Quem nunca quis se desligar um pouco do seu mundinho nada perfeito e colocou uma música para relaxar? Somos movidos pela música em todo o tempo, seja no mercado, em casa, na rua, até mesmo dentro do elevador e nos banheiros públicos. É a forma de levar as pessoas a um estado fora de si, sem precisar buscar em coisas erradas, como as drogas. Mesmo que acabem indo para o lado errado, agora existe concretamente uma fórmula de trazer vida, de ser a vida, de dar uma nova chance a si mesmo.
Se você leitor concorda com tudo que acabei de explicar e exemplificar, comece a transmitir essa informação, a mostrar esse novo caminho para a recuperação daqueles, que por muitas vezes, são considerados como perdidos, como uma carta fora do baralho, como os que não têm mais solução.
Um último exemplo para demonstrar que essa atitude de transmitir essa informação pode gerar resultados,é um exemplo meu, vindo da minha própria pessoa. Conversando sobre o tema desse artigo com um amigo e responsável pela minha atuação na coluna, ele me contou que tem uma amiga que consideram caso perdido na clínica de reabilitação e ao ouvir sobre o que eu trouxe aqui nesse texto ele disse que irá falar com o irmão da amiga dele para que consiga que ela escute música quando as crises de abstinência surgirem, isso comprova que o simples ato de falar sobre o assunto move o mundo de uma outra pessoa, que ajudará outra e que irá testificar a outras e por ai vai.
Como disse um pouco acima, somos movidos pela música, até mesmo as músicas chicletes que ficam rodando e rodando na nossa cabeça, até mesmo as que ficam esquecidas em nosso subconsciente, sejam cantigas de ninar ou as musiquinhas cantadas na escola. A dopamina deve ser liberada em cada organismo todos os dias, pois interfere diretamente no comportamento humano, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, deve ser liberada de maneira correta, use e abuse da música.
Beatriz Corrêa
http://beeacorrea.blogspot.com.br/







